Quinze de Junho de dois mil e dez. Um dia que deveria ser cheio de comemorações para mim por dois motivos, a seleção brasileira ganhou o jogo de hoje e estou completando dezessete anos. Porém, não estou nem um pouco animada com os jogos e muito menos com meu próprio aniversário. Triste não é? Sejam bem vindos a minha realidade.Acordei e mais uma vez não tive a mínima vontade de sair de casa, quanto menos levantar da minha cama: meu refúgio. Mais venci o desanimo e fui para escola, recebi vários votos de felicidades junto com abraços bem carinhosos (que infelizmente não me completaram). À noite recebi alguns (poucos) amigos em minha casa, depois de muita insistência por parte de mamãe, eu não queria ver ninguém hoje, queria apenas poder ficar na internet sossegada, respondendo recados, ouvindo minhas músicas. – Pelo menos por internet não precisamos dar sorrisinhos falsos e muito menos abraçar ninguém. – mais infelizmente nada saiu como eu queria, abracei os ‘amigos’ e sinceramente, não via a hora de poder ficar sozinha refletindo.
Não gosto de demonstração de sentimentos com ninguém, muito menos com família. Nunca fui de abraçar pai e mãe e se dependesse de mim hoje não seria diferente, mais fui educada e os abracei quando eles vieram me cumprimentar pelo meu dia. Me sinto mal diante essas ocasiões, não sei explicar.
Posso parecer ingrata dizendo isso, mais nenhum abraço me completa, nem o abraço da minha mãe é capaz de completar o vazio que existe dentro de mim. Recebi tanto sorriso, tanto carinho mais nada fez com que eu me sentisse bem, feliz. Nem mesmo os presentes que recebi conseguiram arrancar um sorriso sincero de mim hoje.
O único presente que eu queria hoje era um abraço dela. O presente mais valioso que eu poderia receber, não precisava de mais nada, tendo apenas o abraço dela já seria suficiente. Estou morrendo aos poucos, não sei mais o que fazer pra conseguir seguir em frente. Falta tão pouco para o dia mais feliz da minha vida, mais esse pouco é torturante.
A noite chegou e logo irei me preparar para dormir – que em minha opinião é o pior momento que eu tenho. – Momento de reencontro comigo mesma, onde me deparo com tudo que estou vivendo, me deparo com os fantasmas do meu passado e com os pensamentos que me perseguem. Dormir? Bom, só conseguirei dormir depois de muito tempo acordada olhando para o nada, no escuro. Porém estarei em meu quarto, deitada em minha cama, protegida do mundo lá fora. E amanhã? Bom, amanhã será outro dia.
[Y.G]
2 comentários:
Bemmmmmm triste ! Porem belo texto. Parabens
Infelizmente é assim que me sinto praticamente todos os dias.
Obrigada :)
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